Beatrice "Trixie" Vallor

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Beatrice "Trixie" Vallor

Mensagem por Luthica em Qua Abr 22, 2015 6:02 pm

Beatrice "Trixie" Vallor

Classe: Wizard (Arquétipo: Spellslinger) lvl 5
Rogue lvl 1
Technomancer lvl 1
links para classes:
Alinhamento: Neutro e Bom
Terra Natal: Elyin
Raça: Humana
Tamanho: Médio
Sexo: Feminino
Idade: 22
Altura: 1,65 m
Peso: 62 kg
Cabelo: Castanho-claro (Natural) Rosa (tingido) e curto/repicado, com duas mechas grandes na frente.
Olhos: Verdes
Velocidade: 30 ft / 9 metros
Idiomas: Comum
Nível: 7
Dinheiro: 2.900



(cabelo é castanho claro e olhos são verdes)


Outras Imagens e Referências
Arenina:

Arenina

Roupa de mecânica steampunk:



cabelo pintado/expressões faciais:



Saves e Dados
[wiz + rog + tec (+mod)]

PVs: 36 [5d6 + 1d8 + 1d6]
CA: 15  10 + 4 + 1 = [ 10 + bônus de armor + bônus de escudo + mod dex + outros]

BBA:  2 | [+2 + 0 + 0]  
CMB:  1d20 + 6  | 1d20 + 2 + 4 [à distância: 1d20+BBA+ mod de dex]
CMD: 16 | 10 + 2 + 4  [10 + BBA + mod for + mod dex + outros]
Iniciativa: 1d20 + 8 | 1d20 + 4 + 4 [1d20+mod de destreza + bônus de talento, se houver]

Fortitude: 1 [ + 1  + 0 + 0]
Reflexos:[ + 1 + 2 + 0 (+4)]
Vontade:[ +4 + 0 + 2]

~ Atirando com a arma + magia, à distância ~
1d20+BBA+mod dex + 1 (bônus do point blank shot) + 1d8 (elec) (dano da arma)


Pontos de Personagem:

Força: 10
Destreza: 18 (mod 4)  
Constituição: 10
Inteligência: 17 (mod 3)
Sabedoria: 10
Carisma: 8

(+Racial em Des)


Talentos (Feats)

~Gerais~
Proficiência em Arma Exótica
Skill Focus (Conhecimento [engenharia]) | garante +3 em testes de Engenharia; dá +6 no nivel 10
Tecnologist  | pode rolar testes relacionados a tecnologia sem "treinamento"
Point-Blank Shot | +1 de bônus em rolagens de attack e damage com armas de longo alcance
Craft Magic Arms and Armor| Criar, melhorar ou consertar armas, armaduras ou escudos mágicos.  Regras aqui
Dodge | +1 de esquiva para CA

~Wizard (Spellslinguer)~ lvl. 5
Arcane Gun (Su) | rolagens de ataque ganham multiplicador x3 de crítico quando ataca com a arma arcana; pode usar qualquer magia com ranged touch attack, cone, line, or ray pela arma
Gunsmith | Ganha o talento "Gunsmithing" (para restaurar armas, criar munição e armas) e uma battered gun
Mage Bullets (Su) | sacrifica uma magia e transforma esta magia em bonus para a arma
School of the Gun | escola de magia para a arma e obriga a ter 4 oposições
Craft Technological Arms and Armor (Bonus Feat lvl 5)Regras aqui

(Evocation)
+Intense Spells (Su):
Spoiler:
Whenever you cast an evocation spell that deals hit point damage, add 1/2 your wizard level to the damage (minimum +1). This bonus only applies once to a spell, not once per missile or ray, and cannot be split between multiple missiles or rays. This bonus damage is not increased by Empower Spell or similar effects. This damage is of the same type as the spell. At 20th level, whenever you cast an evocation spell you can roll twice to penetrate a creature's spell resistance and take the better result.

+ Force Missile (Sp): 
Spoiler:
As a standard action you can unleash a force missile that automatically strikes a foe, as magic missile. The force missile deals 1d4 points of damage plus the damage from your intense spells evocation power. This is a force effect. You can use this ability a number of times per day equal to 3 + your Intelligence modifier.

+ Bônus:  
Spoiler:
At 5th, 10th, 15th, and 20th level, a wizard gains a bonus feat. At each such opportunity, he can choose a metamagic feat, an item creation, or Spell Mastery. The wizard must still meet all prerequisites for a bonus feat, including caster level minimums. These bonus feats are in addition to the feats that a character of any class gets from advancing levels. The wizard is not limited to the categories of Item Creation Feats, Metamagic Feats, or Spell Mastery when choosing those feats.
A wizard may also choose an Arcane Discovery that he qualifies for in place of a bonus feat at these levels.


~Rogue~ lvl. 1

+ Weapon and Armor Proficiency: simple weapons
+ Trapfinding
+ Sneak Attack


~Technomancer~ lvl 1.

Weapon and Armor Proficiency:  armas de fogo
Recondition (Su) | melhora o desempenho de um objeto tecnológico gasto que ainda funciona. Leva 8 horas e tira a chance de dar pane quando um tecnomago usar. Somente o tecnomago pode fazer. Para manter o objeto funcionando, precisa gastar 1 hora de manutenção por dia.
Technical Expertise | bônus igual ao nivel de sua classe em testse.

Perícias (Skills)

Skill Ranks por level:  
~ Wizard ~  (2 + int mod) x level = 25 (25/25)
~ Rogue ~ ( 8 + int mod) x level = 11 (11/11)
~ Technomancer ~ ( 4 + int mod) x level =  7 (7/7)
~ +7 por humano (+1 de perícia por level) = 7 (7/7)
[rank + mod + bonus de talento + bônus humano]

Avaliação (Int):  7 (rank) + 3 (mod) + 3 (bônus humano) = 13
Craft (Mechanical) (int): 7 (rank) + 3 (mod)+ 3(bônus humano) + 1 (bônus de talento) = 14
Conhecimento (Engenharia) (Int): 7 (rank) + 3 (mod)+ 3(bônus humano) + 1 + 3 = 17
Ofício (Sab): 1(rank) + 3 (bônus humano) = 4
Conhecimento (Local| Norte) (Int): 2 (rank) + 3 (mod)+ 3(bônus humano) = 8
Linguística (Tecnologia*) (Int): 1 (rank) + 3 (mod)+ 3(bônus humano) + 1 = 7
Spellcraft (Int): 7 (rank) + 3 (mod)+ 3 (bônus humano) = 13
Disable Device (Dex): 7 (rank) + 4 (mod)+ 3 (bônus humano) + 1 (bônus de talento) = 15
Acrobacia (Dex): 5(rank) + 4 (mod)+ 3 (bônus humano) = 12
Percepção (Sab): 2 (rank) + 3 (bônus humano) = 5
Stealth (Dex): 1 (rank) + 4 (mod) + 3 (bônus humano) = 8
Use Magic Device (Cha): 1 (rank) - 1 (mod) + 3 (bônus humano) = 3
Nadar (For): 1 (rank) + 3 (bônus humano) = 4
Escape Artist (Dex) : 1 (rank) + 4 (mod) + 3 (bônus humano) = 8

(+ Technical Expertise (Ex): Adiciona seu nível de classe a Craft, Disable Device, Knowledge (engineering), e testes de Linguistics que envolvam tecnologia*
+ Skill Focus (Knowledge [engineering]): +3 de bônus nos testes da skill escolhida. Se tiver 10 ou mais ranks nessa skill, o bônus vai para +6 )

Magias
Escola: Evocation
Opposition: Illusion, Divination, Necromancy e Abjuration

círculo 1 (3 por dia)
+ Read Magic
+ Detect Magic
+ Burning Hands *
+ Touch of Combustion *
+ Shocking Grasp *
+ Magic Missile
+ Flare Burst
+ Mage Armor
+ Crafter's Fortune

círculo 2 (2 por dia)
+ Scorching Ray *
+ Glitterdust
+ Fire Breath *
+ Acid Arrow

círculo 3 (1 por dia)
+ Fireball
+ Lightning Bolt
+ Haste
+ Heatstroke

+ A cada nível de Wizard, ganha 2 novas magias de qualquer nível igual ou inferior ao que ela pode castar (baseado em seu nível de wizard; int deve ser pelo menos = nível da magia + 10). A qualquer momento um wizard pode adicionar magias encontradas em outros livros ao dela.
+ Mage Bullets substitui magias de círculo 0 (cantrips)
+ Magias marcadas com * podem ser usadas com a arma

Equipamento

http://www.d20pfsrd.com/equipment---final/weapons/technological-weapons

Time Worn Arc Pistol
Price 100 gp (original 10.000 ); Type one-handed ranged; Proficiency exotic (firearms); Dmg (M) 1d8 elec.; Critical ×2; Range 50 ft.; Capacity 0; Usage 1 charge; Special semi-automatic, touch; Weight 2 lbs.
+ Construído com Craft Technological Weapons e Recondition: Um item sucateado sem cargas custa 1% do seu preço total.
+2 circumstance bonus on attack rolls against targets that are metal or are wearing medium or heavy metal armor.

Pistol
Price 500 gp (1,000 gp original); Type one-handed ranged; Dmg (M) 1d8; Critical ×4; Range 20 ft. 1 (5 ft.); Capacity 1;  Weight  4 lbs; B and P
+ Crafted

Battery x5
Price 50 gp cada (250 gp original) ; 10 charges
+ Crafted

Power Cable
Price 250 (500 gp original); Slot none; Weight 1 lb.; Capacity —; Usage —
+ Crafted


 História

(Beatrice e Arenina)

Meu nome é Beatrice e eu sou uma cidadã do norte de Elyin. Nasci em uma família pequena, com um pai amoroso muito dedicado aos estudos. Nós tínhamos um sótão cheio de béqueres, livros antigos, papéis de anotações e quinquilharias em um baú. Papai vivia de avental e passava a maior parte do dia ali. Nós só podíamos entrar quando ele estava junto, mas sem tocar em nada. Ah, sim, meu pai se chamava Yann e tinha cabelos castanho-claro.

Era muito bonzinho, embora não falasse muito e estivesse sempre ocupado. Hoje eu vejo que ele tinha um ar misterioso e talvez, para as outras pessoas, ele não parecesse muito saudável ou contente. Mas éramos crianças, para nós não importava. Entendíamos suas tristezas por não termos mais nossa mãe por perto. Nunca falávamos dela nem tínhamos fotos pela casa, mas sabíamos que ela tinha morrido. Nós ficávamos felizes quando ele, sem dizer nada, abria a porta do sótão e ia até nós, no jardim ou na sala. Com um sorriso dele, sabíamos que era hora de aprender magia.

Embora ele se esforçasse para nos ensinar, eu era um pouco avessa a essas aulas em casa. Gostava mesmo era de correr, me sujar por aí e brincar com outras crianças.
Com Arenina, minha irmã, era diferente. Ela tinha um tipo de fascinação pela magia e, por causa disso, meu pai parecia ter a mesma coisa por ela.

A "Nina" era três anos mais velha do que eu, era bonita, tinha cabelos lisos castanho-claro também e que se encaracolavam no meio das costas. Sempre usava vestidinhos, era muito feminina, educada, polida e... perfeita. Em contra partida, eu era esse bicho do mato, sempre suja de alguma coisa, nada delicada, e precisei focar meus estudos em uma escola de magia para não me perder demais. Na verdade, só estudava com eles para não ficar sozinha. Para poder ficar mais próxima deles.

Desse jeito meio torto, nos dávamos bem. Papai obviamente preferia Nina, mas não chegava a ficar bravo comigo porque estava ocupado demais ensinando magia para ela. Ele simplesmente sorria quando eu queria fugir e voltava toda a sua atenção para minha irmã. Quando eu tinha algum sucesso mágico, porém, ele também era gentil comigo. Nina nunca foi rude comigo, mas com o tempo passou a ter o mesmo tipo de obsessão pela magia. Assim como meu pai, embora não tratassem de forma diferente, ambos sentiam-se mais importantes do que as outras pessoas e a gentileza com a qual tratavam os outros era como se fosse "pena" de sua insignificância. É claro que eu nunca quis enxergar isso no passado e para mim serviu apenas para que eu sempre tentasse correr atrás e saber magia também, embora sem tanta dedicação.

Os dois iam para o centro da cidade, faziam compras e ela começou a conhecer segredos que a tornaram cada vez mais parte daquele clã particular. Inclusive, ela era apresentada a amigos da família que eu não sabia que existiam. Nessas ocasiões, eu estava presente como sua "outra filha", mas o foco das atenções era sempre ela.

Quando eu tinha por volta dos 11 anos, uma noite mudou tudo. Lembro que acordei no susto. Eu me sentia atordoada e vi meu pai no quarto, suando. Ele tinha acabado de arrebentar a nossa porta. Arenina estava em pé, sendo segurada por um homem. Fiquei muito assustada porque tinha outra pessoa perto da janela e ela não parava de murmurar alguma coisa. Papai não foi muito delicado, ele jogou uma bola de fogo nela e isso assustou os dois. Não lembro direito o que aconteceu, mas sei que a Nina caiu no chão na mesma hora e eles começaram a lutar. Fui ajudá-la, ela estava um pouco machucada. Meu pai pedia para fugir. Nós corremos e o deixamos lá. A Nina realmente não queria fazer isso, mas ele pedia tanto...

Quando conseguimos sair, corremos para tentar buscar ajuda. Nós morávamos um pouco isolados, não era comum ver vizinhos por ali sem uma boa caminhada. Mas aí, ainda com a casa em vista, ela parou de repente. Parecia muito assustada, depois hipnotizada, como se muitas coisas passassem por sua mente. Ela murmurou algo que eu não entendi. Tinha percebido que alguma coisa estava acontecendo e resumiu com termos que eu não compreendi na hora. Eu queria lembrar o que ela disse. Sei que hoje saberia dizer o que houve. Eu só a vi se soltar da minha mão e correr de volta pra casa.

Eu estava sob o efeito de alguma magia da Nina. Não conseguia reagir. Quando finalmente me soltei eu corri atrás dela. Foi quando a Nina estava chegando perto da porta e voou para trás com o impacto da explosão da nossa casa. Cai de joelhos e mal conseguia respirar. Segundos depois eu lembro que estava ao lado do corpo dela. Sempre que lembro dessa situação eu fico enjoada. Lembro de cada detalhe. O cheiro de queimado e as chamas dançando mais a frente. Os olhos fechados da minha irmã. O sangue na cabeça dela escorrendo para o lado direito do rosto. Os pedacinhos de madeira e sujeira espalhados na pele branca e aí eu vi...

...

Desculpem. É muito difícil para mim.

...

Eu vi que ela estava sem um braço.

- - -

Parei de escrever ontem porque, bem... Peço desculpas pela tinta embaçada e as marcas de água. Eu resolvi escrever minha história porque percebi que encará-la me ajuda a entender o que houve. Me ajuda a ver o quão distante isso ficou e que eu superei o dia que os sequestradores de crianças de Arsin arruinaram a minha vida.

Que agora eu mexo com fogo. Mexo com armas. Que eu sou forte como ninguém e não tenho medo de uma explosãozinha ridícula. Que vou usar a cabeça de quem fez isso como um material para a arma que vai acabar com essas palhaçadas.

Zecks diz que tenho que controlar minha raiva.
Sei que é impossível descobrir qualquer coisa sobre um mistério tão antigo. Não estou mais obcecada com isso.  A vida precisa seguir.

- - -

Preciso terminar de contar o que houve naquela noite. O problema é que por mais que eu me esforce, só sei que eu também caí no chão.
Já revivi a cena em sonho, mas eles sempre acabam com a Nina me chamando várias vezes de "Bea", o apelido dela para mim desde sempre.

Eu queria tê-la ajudado, mas quando recuperei os sentidos estava em uma cama de colchão gasto, naquele quartinho imundo. Foi aí que eu conheci a Mawo. Ela tinha cabelos pretos muito longos e não foi nem um pouco gentil.

"Se for chorar, só lembre que não vai ter ninguém para te abraçar. Não faço essas coisas", ela disse. Foi meio cruel, mas ela também estava sofrendo.

Ninguém soube me contar sobre a Nina. A Mawo também sabia bem pouco. Disse que nós éramos crianças "sem talento" e era essa nossa punição. Foi o mais próximo de explicação que eu já tive. Todo mundo ali tinha alguma história triste. Os outros sete que ficavam nos quartos mais próximos revelaram mais tarde que foram vendidos, outros vagavam na rua... A Mawo só dizia que tinha sido "trocada pelo bem do irmão".

Em resumo, era um orfanato de horror. Um lugar esquisito, de paredes e chão gelados, onde não sabíamos de nada. Não eramos ninguém. De vez em quando, nomes dos adultos do lugar vazavam. Mas mesmo se nós os chamássemos, éramos ignorados a menos que fosse um aviso sobre o trabalho.

Nós tínhamos regras. Um toque de recolher para nossos quartos sujos, uma cantina onde comíamos gororobas pastosas todos os dias. No restante do tempo, tínhamos que trabalhar. Eramos enfileirados e distribuídos para as funções.  Carregar caixas, usar máquinas. Era como se fosse uma fábrica, mas ninguém dizia para que servia. O lugar não tinha janelas. E parecia ainda mais com uma masmorra porque os adultos simplesmente desapareciam por uma porta de metal até o dia seguinte.

Ninguém se importava com o que você fazia dentro dos quartos. Se havia algum tipo de briga durante as horas de "descanso", apenas organizavam um grupo para, mais tarde, recolher o que quer que tivesse se perdido. Mesmo se você tentasse fugir, simplesmente era impossível. Então ninguém fazia um esforço para vigiar isso. Se você se machucasse durante o trabalho, estaria na fila no dia seguinte. Como se nada tivesse acontecido.

Se você quisesse tumultuar de verdade o trabalho... Então era removido. do lugar e trancado num quarto, sozinho - que não era mais do que uma cela. Mas teria que trabalhar do mesmo jeito no dia seguinte.

Acho que a ideia era de que "não importa o que vocês façam, vocês vão viver aqui", além de uma falsa ideia de liberdade. Além do mais... a maioria não tinha mais para onde voltar. Não sabia nem onde estava. Por isso não havia por que se rebelar. Uma hora, a pessoa se acalmava... ou enlouquecia sozinha.

Eu não sei dizer quanto tempo fiquei nesse lugar. Mas alguns meninos gostavam de contar. Nós percebíamos as vezes pelas roupas que os adultos chegavam. A Mawo virou minha amiga, apesar de nunca trocarmos gentilezas por aí. Ela repetia insistentemente que o irmão a buscaria e toda vez eu pensava que gostaria de ter alguém para me ajudar. Os outros gostavam de dar risada dela por causa disso e falavam coisas meio cruéis. Mas ela era impassível. Eu aprendi muito sobre resiliência e persistência com ela.

No terceiro inverno, ganhamos roupas novas e na cantina tinha bolo. Ninguém trabalhou e ir para a área de fábrica era proibido. As meninas tinham bonecas com cara de gente, daquelas que as meninas ricas de Arsin tinham. Mesmo que muitas já tivessem passado da idade. E esperávamos na cantina como se uma festa fosse acontecer. Aí apareceu um adulto diferente, com roupas sociais, botas militares e uma faixa na cabeça.  Ele andou por aí, mesa por mesa, depois desapareceu com outros adultos. Aquele foi o primeiro dia que vi a Mawo chorar.

Perto do quarto inverno, a maioria dos que eu tinha conhecido já não era mais criança. A maior parte quando chega aos 15 é "transferida". Acreditamos que eles virem algum tipo de soldado de linha de frente, mas isso foram só os boatos. Eles só somem.

Nossa vez estava chegando e, nesse período, aquele homem voltou de surpresa, no fim de tarde, quando todo mundo estava trabalhando. Ele veio com um grupo, que se espalhou para patrulhar todo o lugar sob os gritos de protestos dos outros adultos. Quando ele encontrou a Mawo, a abraçou bem forte e declarou para todos que quem quisesse podia ir embora com ele. Era o irmão dela. Pelo que eu entendi, ele não tinha realmente um direito de fazer aquilo. Mas fez.

É triste, mas muita gente resolveu ficar. Simplesmente porque não tinha pra onde ir. Eu teria feito o mesmo, mas a Mawo me apresentou e eu fiquei sem jeito de dizer não. Fomos embora pela porta da frente. E ninguém podia fazer nada a respeito.

- - -

A fase boa da minha vida começou aí. A primeira viagem com Ryad e seus amigos foi um pouco longa, tudo para levar a Mawo de volta para um casarão - não tenho como dar detalhes, mas eu não entrei para ver tudo. Só tive a impressão de que eram ricos. Não sei como ela foi parar num lugar como aquele orfanato, mas o Ryad aparentemente se sentia muito culpado com a situação e fez de tudo para agradá-la desde o resgate.

Por causa disso, estavam se "aposentando" e aquela tinha sido a última missão do Ryad. Ele se despediu do grupo, mas em nenhum momento pensei em ficar com eles. Simplesmente não era meu lugar. Eu não fiz o esforço nem de me despedir demais. Estava feliz por ela, mas sabia que significava uma grande incógnita na minha vida. Acho que fiquei ruim com despedidas e jeito de tratar os outros.

O grupo quis me levar para minha casa, mas eu simplesmente não tinha para onde. Nunca detalhei a minha história para eles. Não precisei. Todo mundo entendeu que eu era uma sem futuro. Eu me oferecia para limpar e trabalhar para eles, se quisessem. Com isso, acabei virando amiga do Zecks, o mecânico e mais velho da equipe. Tinha uns 35 anos já. Ele montava coisas para eu me divertir desmontando e, sem querer, dei continuidade aos trabalhos do orfanato, mas dessa vez realmente me divertindo com isso. Ele realmente tornava tudo lúdico.

Decidimos então que eu ficaria com ele em sua terra natal e lá seria sua aprendiz. Por volta de três anos se passaram e eu devo muito a ele. Foi quando me tornei a "Trixie".

Infelizmente, chegou o dia que eu precisava ir. Ele tinha firmado uma família e eu descobri o quanto me sinto desconfortável sobre viver em um ambiente familiar feliz dos outros. Eu não sou mais assim e não posso atrapalhar esses ambientes. Além do mais, alguma coisa me diz que eu tenho meu próprio destino que não é se tornar outra coisa que não uma Vallor. Resolvi eu mesma trilhar meu caminho no Norte, onde nasci. E aqui estou eu escrevendo em um intervalo de um bico que arrumei por aqui. Deseje-me sorte. Quem sabe o que vou encontrar por aqui?

- - -

Faz muito tempo que não escrevo, mas novas coisas aconteceram e vou atualizar. Vou deixar minhas cidade natal finalmente. Como isso aconteceu? Bem...

Passei a trabalhar no centro da cidade. Sem pretensão eu pedi emprego em vários lugares, só para poder pagar uma hospedagem sem gastar do dinheiro principal. No tempo livre e nos dias de festividades, decidi fazer reparos na rua. Colocava uma caixa de madeira perto das feirinhas e usava peças que tinham sido jogadas fora para criar algo novo. Bobagens. Utensílios, brinquedos... Isso começou a chamar a atenção. Embora eu me apresentasse por aí somente como "Trixie", algumas pessoas da época da minha irmã sabiam quem eu era e tinham alguma ideia da "tragédia da família Vallor".

Nós éramos um folclore particular dos mais idosos. Alguns inventavam histórias de que minha irmã estava viva, linda como nunca, mas com um braço de automail. Conclui que alguém deve ter ido lá conferir o barulho da explosão e visto a cena... É claro que tarde demais. Ninguém mais nos viu depois daquilo. Eu era dada como morta, diziam que éramos vítimas dos Sequestradores de Arsin, que nosso pai era um pesquisador dessas terras que tinha fugido para cá quando mamãe ficou grávida e até inventaram que eu tinha fugido durante o ataque. Tudo bobagem, um bando de mentiras.

Tive muita vontade de ir embora da cidade por causa dessas histórias, mas elas me abriram portas. Muita gente queria pagar pelas minhas coisas e pediam serviços talvez por pena. Nunca confirmei os ocorridos, mas não cheguei ao meu limite pois era a minoria que sabia disso tudo.

Quando completei um ano e meio na cidade, estava trabalhando em uma loja de armas. Geralmente não atendia clientes, apenas fazia as encomendas. Mas, um dia, pediram para conversar comigo.

Um dos clientes que tinha feito uma encomenda bem complicada por carta tinha aparecido para buscar sua arma. Ele disse que eu tinha "passado no teste". Contou que Zechs tinha me indicado para uma vaga no lugar dele, já que agora ele tinha uma família. Aí ele perguntou se eu estava disposta a trabalhar na capital. E eu disse sim.

Toririn é um homem de 1,50 m e olhos de raposa. Fui sem pensar duas vezes porque a indicação de Zechs significa muito para mim. É um conhecimento em novas áreas.

Apesar de ser baixinho, tenho notado que é um homem respeitado. Tem conhecimento vasto de história e mundo. Afinal, é um dos coordenadores da KlinGewehr, uma fabricante de armas e aparatos tecnológicos da capital.

Eu estava com receio de ter que viver enclausurada novamente, mas os funcionários de lá parece que têm opção de viver fora do complexo. Resolvi aceitar meu quarto, pois não tenho outro lugar para ir, mas acho que ficarei ocupada demais com o trabalho para saber

- - -

Estou fazendo um estágio intensivo. Disseram que vai levar mais ou menos um ano até que eu comece a entender de verdade a idéia deles de juntar tecnologia com magia.  Precisamos estudar por partes.

O legal é que eles deixam você usar o "lixo" deles para o que você quiser. Montei alguns equipamentos para mim e nas horas vagas treinava com eles para descobrir como melhorar minhas confecções diante das minhas próprias necessidades.

- - -

Estou bem melhor!

Gosto daqui porque não preciso interagir muito com as pessoas... às vezes nós trabalhamos lado a lado sem saber quase nada de nossas vidas. A maioria aqui é muito compenetrada. Me fazem lembrar um pouco do período do orfanato, mas ninguém aqui está preso. Nós até bebemos juntos.

Estou pensando me conhecer as outras áreas, mas por enquanto vou me focar em Montagem, que é o que eu sei fazer.

- - -
Acabei de voltar do Kenny, um pub da região. Estou contando com a alta política de privacidade que essas pessoas têm em não mexer nas coisas um do outro ou se meter nas vidas alheias.

Vou tentar resumir então: eu sai de Montagem e fui para Pesquisa, estou há quase um ano lá. O pessoal de lá tem horas mais fixas, então acaba tendo tempo livre. Comecei a sair um pouco até notar que as pessoas estavam torcendo o nariz para meu uniforme da K.G.

No início, era normal. Era só uma trabalhadora comum e ninguém que não fosse mecânico via com importância gente de lá. As pessoas comuns nem conheciam.

Mas aí começou a ficar estranho quando elas começaram a notar também. Sempre tinha fofoca, um olhar trocado, um reconhecimento do símbolo bordado seguido de grande surpresa. Um dia, pude ouvir palavras trocadas sobre o "caminho negro" que a K.G. estava entrando.

Eu fui no Kenny então com roupas normais, à noite, que é um período que eu dificilmente saio da república.

Parece que o tal "caminho negro" é porque eles estão envolvidos com o sequestro de crianças para trabalho forçado para a fabricação bruta. Fornecem armas para essa gente.

Eu estou trabalhando para uma empresa que está matando Ninas por aí.

Não consigo acreditar nisso e não sou um Ryad para fazer nada...

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Luthica
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