Vigiar e olhar

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Vigiar e olhar

Mensagem por isaac-sky em Qua Out 01, 2014 5:50 pm



"És um tolo! Um tolo e um covarde por aceitar um trabalho tão ridículo enquanto teu país está em guerra. Se ainda insiste nessa ilusão, não se dê ao trabalho de voltar pra casa.
Com pesar, seu pai Raphael D'Argan"


O guarda não precisou esconder as lágrimas ao ler a carta de seu pai. A vigia da muralha norte era um trabalho solitário e difícil, pois sua grande extensão precisava ser patrulhada por uma única pessoa.

Lucas enxugou os lágrimas com a manga da camisa e se levantou, pegando o mosquete e respirando fundo disse a si mesmo:
- Pai, perdoe-me, mas tu não compreendes meu fardo e minha responsabilidade. Espero que no futuro ne entendas.

O guarda iniciou sua caminhada pela muralha, os olhos atentos como se estivesse no primeiro dia de serviço.

"Sei que não é um trabalho ridículo" pensou ao se lembrar de como havia sido recrutado para vigiar a distante fronteira norte.

O próprio Rei havia lhe escolhido, a dedo, diante de uma fileira de de soldados da infantaria. Era um regimento de cem guardas para cuidar da muralha.
Mas os anos se passaram, o reino mergulhou em uma guerra e foi dada uma escolha aos guardas:

"Poderão permanecer aqui e continuar com a missão do rei, ou poderão sair e lutar no front, defendendo suas famílias e lares" estava escrito na carta que o corvo deixou.

- Lucas, partiremos ao amanhecer - um dos guardas mais velhos disse.
- Mas temos uma responsabilidade com o rei! Não podemos abandonar nossa demanda - Lucas respondeu.

Alguns ficaram com Lucas, a centena havia se tornado uma dezena.

A muralha nunca recebia visitantes ou invasores, a fronteira apontava para uma terra deserta da qual ninguém aguardava nada, exceto esses guardas.

- Ele vai vir das montanhas, foi o que o rei disse - Lucas tentava animar seus companheiros de demanda - Ele nos mandou vigiar. Ele virá!

Um a um, os colegas abandonavam o posto. Alguns nem ao menos se davam o trabalho de lhe avisar, com medo de encarar seu olhar.

Agora, o guarda mantinha sua vigia mas se sentia só. A geada se tornava mais intensa e o destino já não lhe parecia favorável.
- Majestade, o quanto esperarei até o fim da demanda? Esqueceste de mim?

Ao atingir o portão, Lucas deixou o mosquete encostado na mureta. Olhou para o horizonte do crepúsculo, quase apagado pela geada...mas um ponto escuro lhe tirou a atenção no sol que se punha.

- Céus! São eles! São eles! - disse, correndo, para o mecanismo que poderia abrir o portão. Observou melhor e a bandeira, brasão do rei, demonstravam que era realmente o grupo que o Rei falara.

A comitiva atravessou o portão, desmontaram dos cavalos e procuraram por um regimento que agora era formado por somente uma pessoa.

- Príncipe, a suas ordens - Lucas desceu de encontro aos visitantes, se ajoelhando diante do filho do Rei.

- Levante, soldado. Onde está o resto do seu regimento?

- Todos foram para a guerra, senhor - Lucas se ergueu mas não ousou olhar nos olhos do Príncipe.
- Então eles se perderam na demanda, e se esqueceram do porquê da minha vinda. Trago em minhas mãos o tratado de paz, porém não há espaço para minha guarda real para quem abandonou a demanda.

Lucas olhou nos olhos vibrante do Príncipe.

- Lucas D'Argan, lhe promovo a Primeiro Oficial da Guarda Real de Adurna. Vamos, filho, hora de trazer a notícia ao reino. Eu voltei, celebremos

O guarda segurou as lágrimas, ajeitou seu cavalo, e partiu para um período muito longo de paz.

___________

"Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão somente o Pai.
Fiquem atentos! Vigiem! Vocês não sabem quando virá esse tempo.
É como um homem que sai de viagem. Ele deixa sua casa, encarrega de tarefas cada um dos seus servos e ordena ao porteiro que vigie.
Portanto, vigiem, porque vocês não sabem quando o dono da casa voltará: se à tarde, à meia-noite, ao cantar do galo ou ao amanhecer.
Se ele vier de repente, que não os encontre dormindo!
O que lhes digo, digo a todos: Vigiem! "

Marcos 13:32-37





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